Perguntas que podem surgir antes de instalar
Para quem é o kamishibai?
Para quem está disposto a praticar a repetição espaçada com regularidade e por bastante tempo — meses, não duas ou três noites. O kamishibai não é um curso. Ele não escolhe temas nem conduz por um programa: você traz as palavras que encontrou por acaso num livro, em legendas ou numa conversa, e o kamishibai as transforma em cartões.
Daí em diante trabalha o Anki: ele mesmo decide quantos cartões mostrar hoje e não deixa a sessão diária inchar. Os intervalos entre as revisões crescem aos poucos — de uns dias a semanas e meses.
O que dá para fornecer na entrada?
O caminho principal é uma lista de palavras: você escolhe os significados de que precisa, e para cada um o kamishibai escreve uma frase nova. Se o conteúdo dos cartões já está pronto, passe-o no formato cards JSON: dentro dos campos pode ir qualquer coisa, desde que o esquema feche — o áudio e as imagens o kamishibai acrescenta sozinho.
O que faz o Anki e o que faz o kamishibai?
O kamishibai prepara os cartões e os reúne num arquivo .apkg — o formato de importação do Anki. O Anki agenda as revisões e guarda as notas das respostas. Se você quiser cartões físicos, o kamishibai também cria um PDF: é só imprimir e recortar.
Precisa saber programar?
Não. O modo principal é uma TUI passo a passo no terminal: você cola palavras, escolhe significados, confere cartões e recebe o baralho. A CLI de JSON só serve a scripts e agentes externos.
Quem decide o que entra no cartão?
Você. No terminal você trabalha com as suas palavras: escolhe os significados e decide quais cartões manter. O mesmo trabalho pode ser delegado a um agente, mas conferir o resultado continua sendo com você.
Quais idiomas têm suporte?
EN, ZH, ES, JA, FR, DE, RU, IT, PT, EL e NL — em qualquer par. Uma execução trabalha com um único par. Nem todas as combinações os modelos dominam igualmente bem. Se precisar de outro idioma, abra uma issue no GitHub — vamos ver o que dá para fazer.
O que vai ser preciso antes de rodar?
Um computador, internet durante a geração e a sua própria chave da API do Gemini — dá para criá-la no Google AI Studio → Para as revisões é preciso o Anki → Na primeira geração de ilustrações o kamishibai baixa ainda os modelos de OCR.
Em quais sistemas isso roda?
Há builds prontos para macOS, Linux e Windows. O Homebrew funciona no macOS e no Linux. O instalador shell também pode rodar no Git Bash, MSYS ou Cygwin no Windows.
Quanto custa?
O kamishibai em si é gratuito e aberto, mas as requisições ao Gemini são cobradas na sua chave. Gerar 100 cartões sai por cerca de $15. É uma estimativa grosseira: o total depende de quantos cartões precisarão ser regenerados. Você não precisa escolher modelos, eles já vêm configurados: procuro manter modelos atuais, porém relativamente baratos, e ponho a qualidade dos cartões acima do gasto mínimo de tokens.
Cem cartões são 100 frases completas e algumas centenas de palavras em contexto, cujo estudo costuma levar um mês ou dois. Por isso vale usar o kamishibai para as palavras que realmente importa você lembrar.
Para onde vão as palavras e a chave?
Sessões, cache e arquivos prontos ficam no seu disco. O kamishibai não tem servidor próprio. A geração passa pelo Gemini com a sua chave, então palavras e frases saem do computador. A chave salva fica num arquivo local de configurações, não no cofre de segredos do sistema.
O material gerado pode vir com erros?
Pode. O modelo pode escolher a nuance errada do significado ou errar no IPA, e o áudio pode sair ruim. A qualidade e o estilo das ilustrações o próprio kamishibai confere, e as malsucedidas ele tenta de novo — estão previstas até três novas tentativas, por isso às vezes se gastam mais tokens. Em casos raros uma palavra pode esgotar todas as tentativas e ficar sem cartão. Confira o baralho antes de começar a revisar.
O que exatamente significa Agent Ready?
Significa que a ferramenta pode ser usada não só por uma pessoa, mas também por um agente como o Claude Code. Os comandos da CLI de JSON — new, select ou exclude, generate, status, result — não exigem entrada interativa e devolvem uma resposta legível por máquina, então um agente pode chamá-los de forma assíncrona e conduzir várias sessões em paralelo. Como usar os comandos está descrito em llms.txt — basta mostrar esse arquivo ao agente.
A um agente dá para delegar:
- montar uma lista de palavras para uma tarefa específica,
- escolher os significados,
- conferir os cartões prontos antes de importar.
Isso é prático para grandes volumes, mas conferências e regenerações desnecessárias aumentam o gasto de tokens e o custo.
Para que serve um JSON próprio?
O seu cards JSON é útil quando as formulações precisam ser inteiramente suas: orações prontas, minidiálogos, frases de uma aula. Passe o conteúdo — o kamishibai acrescenta áudio e ilustrações e depois monta o APKG e o PDF. O esquema estrito está em cards-json.md →
Dá para revisar no celular?
A geração roda no computador. Depois disso, normalmente basta dar dois cliques no arquivo .apkg: o Anki abre e começa a importação (se não abrir, escolha Arquivo → Importar). A sincronização do baralho com o celular é o próprio Anki que faz.
No PDF não há agenda, mas dele saem cartões de papel: imprima, recorte e dobre. As frases mais importantes ou mais duras podem ficar sobre a mesa — sem o som, é verdade.
Quem cria o texto, o áudio e as ilustrações?
O texto, o áudio e as ilustrações são gerados por modelos da família Gemini.
O que fazer se um cartão não vem à memória de jeito nenhum?
Aperte «De novo» e siga em frente. A rigidez da avaliação, ajuste ao seu nível. No começo dá para aceitar uma resposta com erro no artigo ou na preposição, se você lembra o sentido da frase e as palavras-chave. Quando as primeiras 50 frases estiverem bem firmes, suba a régua.
Se depois de alguns meses um cartão conhecido de repente não vier, aperte «De novo»: muitas vezes é justamente depois de um erro desses que a frase fica gravada para sempre.
Quando esperar resultado?
Depois das primeiras 50 frases bem aprendidas o efeito já dá para notar: as construções conhecidas voltam com mais facilidade, e aos poucos aparece a intuição do idioma — pelo menos na área de onde elas vieram.